
É com grande prazer que publico o relatório de análises dos fundos de investimento para renda variável feita pelo Rogério Rios Meirelles.
Neste artigo, além de comentar o desempenho mensal de alguns fundos de aplicações em ações do BB, vou também colocar alguns pontos quanto ao perfil de investidores. A idéia é esclarecer melhor cada um que se sinta enquadrado num dos perfis.
Comentários dos Fundos de Ações do Banco do Brasil (Nov/2006)No relatório #1, apresentei alguns fundos de investimentos em ações do Banco do Brasil além de apontar algumas características. As cotações constantes neste relatório são até o dia 27/11/2006 e todas elas extraídas do site do Banco do Brasil.
Especificamente na última semana, a bolsa está testando seu topo histórico (TH) e vem corrigindo (dentro da tendência de alta). Espera-se que com essa correção o mercado ganhe força para deixar esse TH para trás já no final deste ano.Ações Dividendos
Este fundo tem 27,21% acumulado no ano. Em novembro o fundo rendeu 5,025% (praticamente a mesma rentabilidade do mês anterior). Isso significa que quem manteve uma aplicação nos dois últimos meses obteve uma rentabilidade acumulada em torno de 10% (lembro que deve ser descontado o IR e a taxa de administração – 2% para este fundo). No gráfico abaixo, percebe-se no curto prazo o canal de alta, já diante de uma correção em face da chegada ao TH (zona circulada).

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Como auxiliar na análise dos fundos, pode-se construir indicadores alternativos tal como são feitos na Análise Técnica de ações. A idéia é mostrar melhor os momentos de aplicação e resgate. No gráfico abaixo tem-se um histograma que mostra a diferença entre médias móveis de períodos distintos. Quando o gráfico está acima da linha de referência (zero) na cor verde, é um indicativo de que as cotações atuais estão acima da média (a rentabilidade acumulando positivamente), por outro lado, para as barras abaixo da referência (vermelhas) tem-se um indicativo de baixa.

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Petrobrás
O Fundo de Ações da Petrobrás é um dos fundos “não diversificados”. Neste mês de
novembro já acumulou uma rentabilidade de 6,227% e no ano 22,425%. O gráfico da Petrobrás, mostrado abaixo, também apresenta um canal de tendência de alta no curto prazo, porém ainda não atingiu o seu TH. A proximidade com a linha de suporte do canal pode estar indicando um momento de aplicação, no entanto pode ser mais precavido aguardar o gráfico romper a resistência apontada na linha azul (cotação em torno de R$6,67, nos dias 1/02/2006 e 9/08/2006 – marcada nos círculos).

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Vale do Rio DoceO Fundo de Ações da Vale manteve uma das maiores rentabilidades no mês de novembro (8,214%) e no ano já acumulou 21,554%, ficando atrás apenas do fundo de ações do setor de Telecomunicações (9,057% em novembro, porém no ano tem acumulado 13,317%).

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TelecomunicaçõesComo já mencionado o Fundo de Ações do Setor de Telecomunicações foi o 1º lugar no mês de novembro (entre os fundos de ações do Banco do Brasil). No entanto, tal como mencionado no relatório anterior (Fund Report #1) “este fundo (e alguns outros fundos de ações) possui um comportamento diferenciado, o que pode inviabilizar uma aplicação de Longo Prazo”, além de oferecer maiores risco haja vista a sua “instabilidade”. Pelo gráfico abaixo, o TH deste fundo já foi ultrapassado e atualmente tem-se uma correção na tendência altista.

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MultimercadoEste fundo é uma composição de renda fixa e renda variável.
Apesar deste fundo não ser considerado um fundo de renda fixa, seu rendimento vem se mostrando seguro e quase sempre acima da média dos fundos de renda fixa como a poupança, referenciados DI, CDB…
O único ponto a ser mencionado é o fato do gráfico começar a apresentar um
“afastamento” da linha de tendência linear (linha vermelha). Isso aponta uma mudança na inclinação do gráfico o que pode significar uma queda na rentabilidade. A explicação pode ser em parte devido às quedas na taxa de juros. Até maio/2006, o gráfico permaneceu acima da linha de tendência, com o período de turbulências (junho a agosto de 2006) e diante das constantes quedas na taxa de juros o gráfico passou para a parte inferior da linha de tendência.

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Perfis de InvestidoresPara tecer alguns comentários, vou classificar alguns perfis de investidores - a idéia é
tentar orientar melhor cada um que se sinta enquadrado num perfil.
- Conservador: É aquele que não consegue imaginar que seu dinheiro aplicado teve um rendimento negativo no período. Geralmente opta por uma carteira aplicada em renda fixa em sua totalidade. A intensão maior é ter seu dinheiro atualizado perante os índices de inflação.
- Moderado: O investidor moderado suporta correr um certo risco. Geralmente compõe sua carteira com alguns investimentos variáveis, no entanto limita-os a uma faixa entre 20% a 30% de suas aplicações.
- Arrojado: Neste perfil se enquadram os investidores mais agressivos. Os investimentos em renda variável estão acima dos 35% do total de suas aplicações, podendo chegar a acima de 60%.
è Para os perfis moderado e arrojado a intensão maior é vencer os índices de inflacionários e para isso correm os riscos de algumas perdas.
Cabe lembrar que existem outros fatores que influenciam na classificação dos perfis apresentada, no entanto vamos manter apenas a idéia da existência dos perfis.
Aplicar em fundos de investimentos, por natureza, já é considerada uma aplicação com segurança maior, quando comparada a investimentos diretos no mercado financeiro.
Para fundos de ações, geralmente tem-se uma composição com papéis de várias empresas e/ou índices de setores específicos. Dessa forma e sabendo que uma carteira mais diversificada oferece um investimento mais estável, pode-se colocar uma primeira questão:
“Aplicar em vários fundos de ações é uma boa opção?”
1) Para muitos, a resposta está clara: “Se eu tenho R$10.000,00 disponíveis, aplicando R$1.000,00 em 10 fundos de ações terei um rendimento médio de todos os fundos. Caso algum fique negativo, um outro compensará.”
2) Para outros, a resposta correta é: “Se eu tenho R$10.000,00 disponíveis, aplicando tudo em 1 fundo de ações posso ter um rendimento acima da média de todos os fundos. Só terei que me precaver para controlar e suportar uma perda.”
Logicamente, não tenho o poder de dizer qual resposta está correta, até por que os R$10.000,00 não são meus. (rs…). Entretanto, os riscos que cada um está correndo são diferentes, sendo maior para o segundo caso (tanto o risco de perder quanto o de ganhar mais). Ressalte-se que fundos de ações já são diversificados por si só e quase todos têm um comportamento semelhante ao IBOV (com exceção de fundos específicos como os de empresas - Petrobrás, Vale, Embraer, PIBB…).
Outro ponto importante a ser mencionado é o controle de seus investimentos (Gerenciamento da Rentabilidade). Na maioria das vezes, as aplicações em fundos são de longo prazo. No entanto, é importante o acompanhamento para que você trace suas metas, saiba os prejuízos que pode suportar e procure maior rentabilidade.
Fundos de ações têm tendências de alta e de baixa, além dos períodos de correção. O objetivo do investidor sempre é obter lucros acima da inflação. O acompanhamento dos fundos é importante para que seja detectada uma correção de alta ou uma tendência de baixa e, com esse conhecimento, o investidor retirar sua aplicação antes que perca um valor significativo.
Geralmente, definem-se limites de perda e até de ganho para uma aplicação. Por exemplo: Ao aplicar R$1.000,00 num fundo de ações, deve-se definir um percentual de perda suportável para que seja dado um prazo para a aplicação. Suponhamos que o valor que a pessoa definiu foi de 5% (ou seja, perda de até R$50,00). Caso o fundo esteja em um período de queda e seja atingido o limite (saldo cai de R$1.000,00 para R$950,00) o melhor a fazer é “engolir seco” e resgatar o valor, antes que o prejuízo seja maior. Ressalte-se que nenhum fundo de renda variável sobe indefinidamente. Mesmo numa tendência de alta, existem períodos em que as cotações caem e o investidor deve saber entender uma queda momentânea do rendimento e tomar uma decisão. Geralmente, quedas de 2% e 3% em intervalos curtos de tempo não apontam uma mudança de tendência.
Dicas:
Não tente ser mais agressivo do que o necessário, principalmente quando você está começando a investir seu dinheiro;
Fundos de ações não sobem indefinidamente, aprenda a entender uma queda momentânea nas suas aplicações;
Não é por que um fundo de investimento subiu acima da média no mês anterior que você irá apostar todas as suas fichas nele;
As notícias sobre o mercado financeiro que aparecem nos telejornais SEMPRE são ultrapassadas e desconfie das informações de terceiros. Confirme-as junto ao site do seu banco, junto ao seu gerente ou seu consultor financeiro;
Nostradamus errou muitas previsões, então, tome cuidado com os palpites não explicados. Afinal de contas é o Seu dinheiro que está em jogo;
Diversificar demais suas aplicações te protegerá de muitos riscos, inclusive o de obter um lucro maior;
Realize seu gerenciamento financeiro, imponha limites a perder e também a ganhar, além dos prazos para a sua aplicação;
Você “obtém lucro” ou “ganha dinheiro” em aplicações, somente após o resgate do valor e o crédito dele em sua conta. Não adianta falar que lucrou 9% em um dia se o dinheiro ainda está aplicado;
Não faça análises diárias de fundos de ações, até por que você não consegue realizar aplicações e resgates repentinos (automáticos). O D+1 é um inimigo que não tem como mudá-lo. Analise semanalmente e se não agüentar a ansiedade faça de 3 em 3 dias;
Mantenha-se informado sobre o mercado e entenda quais os fatos e políticas econômicas que influenciam nas suas aplicações.
Dica Bônus: Se você se sente em condições de aplicar diretamente no mercado financeiro, faça-o, pois as aplicações em fundos de investimentos têm uma latência alta nas operações (por causa dos prazos para aplicação (D+1), resgate (D+1) e crédito em conta (D+4)).
O momento atual traz muito otimismo para o crescimento do mercado financeiro. Após o período das eleições e com o aquecimento do comércio devido ao período de fim de ano, o mercado vem recuperando o período de tendência de baixa e incertezas que perdurou durante os meses de maio a setembro de 2006.
Boa sorte nos investimentos!
Rogério Rios Meireles
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Veja outros Relatórios:
Análise Fundos de Investimentos BB
Análise Fundos de Investimentos Banco do Brasil #2
Análise Fundos de Investimentos Banco do Brasil #3
Análise Fundos de Investimentos Banco do Brasil #4
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Escrito por rodrifernandes
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