Libra Esterlina Boas novas nas últimas semanas
Apr 24

24/04/2008 09:35

Resumo Ata COPOM

Evolução recente da economia

1. “A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) se manteve praticamente estável em março, em 0,48%, ante 0,49% em fevereiro. Com isso, a inflação alcançou 1,52% no primeiro trimestre de 2008, ante 1,26% em igual período de 2007.”… “O comportamento recente do IPCA tem sido notadamente menos favorável do que em trimestres anteriores, de modo que desde o final de 2007 a inflação dá sinais de que poderia estar divergindo da trajetória das metas, tendo atingido 2,97% nos últimos seis meses.”

2. “…Ainda em relação ao acumulado em doze meses, as medidas de núcleo, apesar de permanecerem abaixo do valor central da meta para a inflação, atualmente se posicionam em patamares consideravelmente superiores aos valores mínimos históricos registrados em 2007.”

3. “A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) recuou para 0,38% em fevereiro (0,99% em janeiro), mas acelerou para 0,70% em março. No acumulado em doze meses, a variação do IGP-DI acelerou de 8,49% em janeiro para 8,65% em fevereiro e 9,18% em março, ante 4,49% em março de 2007. Em doze meses até março, o incremento do IGP-DI refletiu tanto o comportamento do Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-Br), com variação de 4,52% (2,69% em março de 2007), quanto o do Índice de Preços no Atacado – Disponibilidade Interna (IPA-DI), com incremento de 11,39% (5,09% em março de 2007). Na mesma base de comparação, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) variou 6,69% (5,25% em março de 2007).” …” Conforme destacado nas Notas de reuniões anteriores, o Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre a inflação para os consumidores dependerão das condições atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação.”

4. “Após a última reunião do Copom, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados do PIB no quarto trimestre de 2007, bem como os resultados para o ano com um todo. Os dados mostraram aceleração substancial da taxa de crescimento no último trimestre de 2007, quer sob o critério da variação acumulada no ano (5,4%, ante 5,1% no terceiro trimestre), quer no que se refere à comparação interanual (6,2%, ante 5,6% no trimestre anterior). Do ponto de vista da demanda agregada, chama atenção a aceleração da formação bruta de capital fixo, que cresceu 16% ante o quarto trimestre de 2006 e, em especial, a mudança de patamar no ritmo de expansão do consumo doméstico, que tende a ser menos volátil que o investimento ao longo do ciclo, de 6,0% para 8,6%, sob o mesmo critério de comparação. Do lado da oferta agregada, foi destaque a aceleração do setor de serviços, com expansão interanual de 5,3% ante 4,6% no trimestre anterior. “

5. “…Os dados já divulgados referentes a 2008 apontam, em suma, para continuidade do ciclo de expansão da produção industrial, que continuará a ser favorecida por diversos fatores de estímulo que atuam sobre a atividade econômica, como a expansão do crédito, do emprego e da renda, os impulsos fiscais e, em alguns segmentos, a recomposição de estoques.”

6. “Entre as categorias de uso, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, a produção de bens de capital avançou expressivos 3,1% em fevereiro, após estabilidade em janeiro. No que se refere às demais categorias de uso, o destaque foi a produção de bens de consumo duráveis, com aumento de 0,9% (5,9% em janeiro). O cenário de sólida expansão da produção de bens de capital verificado em 2007, decorrente, principalmente, da consolidação das perspectivas favoráveis à continuidade do crescimento da economia, alicerçadas na percepção de consolidação da estabilidade macroeconômica, parece estar persistindo neste ano. Por sua vez, o dinamismo da produção de bens duráveis reflete, em grande parte, a substancial melhora nas condições de crédito da economia, quando comparadas aos padrões históricos.”,

7. “O mercado de trabalho permanece com desempenho bastante favorável. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) avançou, seguindo o padrão sazonal, de 7,4% em dezembro de 2007 para 8% em janeiro e 8,7% em fevereiro (a menor para o mês na série histórica). Com isso, a taxa de desemprego média no primeiro bimestre foi 1,2 p.p. inferior àquela observada em igual período de 2007. Considerando dados dessazonalizados pelo Banco Central, a taxa de desemprego deslocou-se de 8,5% em janeiro para 8,6% em fevereiro, permanecendo em patamar próximo ao menor nível da série histórica. Em fevereiro, o rendimento médio real habitualmente recebido apresentou alta de 1,1% em relação a janeiro e de 2,5% ante fevereiro de 2007.”…” O setor agrícola foi responsável pelo acréscimo de 25,2 mil postos de trabalho, saldo recorde no período, resultado que pode ser creditado às atividades relacionadas ao cultivo da cana-de-açúcar no Centro-Sul e ao cultivo da soja.”

8.” Em linha com a evolução positiva do mercado de trabalho e com a expansão do crédito, o comércio varejista continua a registrar desempenho favorável e indica que o ritmo de crescimento da demanda doméstica se mantém robusto, sem mostrar sinais de arrefecimento.”…” Destacam-se as vendas de “móveis e eletrodomésticos”, que cresceram 22,3%. O crescimento sólido do comércio varejista tem refletido tanto o desempenho dos segmentos mais sensíveis à expansão da renda e do emprego quanto o daqueles mais sensíveis às condições de crédito. Por sua vez, o comércio varejista ampliado, que também compreende a comercialização de “veículos, motos, partes e peças” e de “material de construção”, avançou 1% em fevereiro, ante o mês anterior, de acordo com a série dessazonalizada pelo IBGE, e 18,1% na comparação com fevereiro de 2007. Para os próximos trimestres, a perspectiva é de continuidade do atual ciclo expansionista do comércio varejista, cujos fatores de propulsão continuarão a ser o crescimento dos níveis de emprego e da renda, a expansão do crédito e a manutenção da confiança do consumidor em níveis elevados. Indicadores setoriais, por exemplo, referentes a vendas de automóveis no primeiro trimestre deste ano, corroboram essa avaliação. “

9. “… A redução da capacidade ociosa, em relação às margens usualmente observadas, manifesta-se em diversos setores e ocorre a despeito do aumento substancial do volume de investimentos.”…” Note-se, ainda, que a produção de insumos para a construção civil aumentou 1,2% no mesmo período, mostrando forte desempenho. Dados recentes sugerem que, embora o investimento venha contribuindo para suavizar a tendência de elevação das taxas de utilização da capacidade, não tem sido suficiente para conter tal processo. Nesse contexto, a maturação tempestiva de projetos de investimento será fundamental para circunscrever os descompassos entre a evolução da oferta e da demanda doméstica no horizonte relevante para a política monetária. A propósito, como assinalado em Notas anteriores das reuniões do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita relação com os desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e serviços para o adequado atendimento à demanda. “

10. “A balança comercial continua a apresentar desempenho robusto, para o padrão histórico, em que pese a já antecipada perda de vigor na margem, fato que está em consonância com avaliações expressas em Relatórios de Inflação e em Notas de reuniões anteriores do Copom sobre mudanças estruturais importantes no comércio exterior brasileiro. O saldo acumulado nos doze meses até março totalizou US$34,1 bilhões (25,5% inferior ao verificado em março de 2007). Esse resultado adveio de US$165,3 bilhões em exportações e US$131,2 bilhões em importações, com crescimentos de 16,1% e de 36,0%, respectivamente, em relação aos doze meses findos em março de 2007. Como observado em Notas de reuniões anteriores, as importações vêm crescendo em ritmo mais acelerado do que as exportações, em razão tanto do fortalecimento do real como do maior nível de atividade econômica no país, a despeito das elevadas cotações de diversas commodities características da pauta exportadora brasileira. A redução dos superávits comerciais contribuiu para que o saldo em transações correntes registrasse déficit de US$4,9 bilhões em doze meses até fevereiro de 2008, equivalente a 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Por sua vez, os investimentos estrangeiros diretos chegaram, nos doze meses até fevereiro, a US$36,5 bilhões, equivalente a 2,8% do PIB. “

11. “ No que se refere ao cenário externo, consolida-se o quadro de desaceleração da economia dos Estados Unidos da América (EUA), evidenciado pelos dados sobre atividade no quarto trimestre de 2007 e primeiro trimestre de 2008, mas continua a incerteza quanto à intensidade e duração desse processo. Estatísticas mais recentes sobre o mercado imobiliário e a demanda por bens de consumo, bem como índices de confiança e outros indicadores antecedentes, apontam para desaquecimento pronunciado. Persistem dúvidas sobre a extensão e a amplitude dos desdobramentos da crise hipotecária americana sobre instituições financeiras nos EUA e na Europa e quanto ao impacto que estes terão sobre as condições de acesso ao crédito por parte de empresas e famílias. A visão dominante ainda parece ser a de que, mesmo que possivelmente intensa, a desaceleração não seria prolongada, mas avaliações mais negativas vêm se tornando mais disseminadas. Em parte, essas avaliações refletem dúvidas sobre a capacidade de as medidas de política monetária implementadas pelo banco central dos EUA (às quais se somarão estímulos fiscais) suavizarem de forma tempestiva o enfraquecimento daquela economia, ante as persistentes dificuldades do sistema financeiro. A despeito da redução, nas últimas semanas, da percepção de risco sistêmico, em decorrência da atuação do banco central americano e da re-capitalização de instituições importantes, tais dificuldades poderiam ser agravadas por uma deterioração cíclica na qualidade do crédito, o que reforçaria a tendência, já evidente, à contração das condições financeiras, aumentando o risco de intensificação da desaceleração. As perspectivas para a atividade na Europa, a despeito de alguns indicadores favoráveis na Alemanha, e no Japão também continuam se deslocando em direção negativa, ainda que, até o momento, sem suscitar o grau de preocupação que cerca a atividade econômica nos EUA. Por outro lado, o forte crescimento apresentado por grandes economias emergentes da Ásia, que, até agora, aparentemente foram pouco afetadas pela crise hipotecária nos EUA, tem constituído contraponto aos efeitos da desaceleração das economias maduras. De fato, a pressão sobre a disponibilidade de fatores de produção tem suscitado elevação da inflação em diversas economias emergentes, muitas das quais estão, conseqüentemente, vivendo ciclos de contração monetária. Nas economias maduras, as perspectivas para a política monetária são mais diversas. Onde as pressões inflacionárias são mais moderadas e os efeitos da contração do crédito mais pronunciados, a tendência indica relaxamento monetário adicional. Por outro lado, nos casos em que as taxas de inflação se encontram em patamares elevados em relação às respectivas metas, o escopo para reação aos efeitos contracionistas da crise de crédito parecem ser mais limitados. Nesse contexto, os indicadores de volatilidade e de aversão ao risco nos mercados financeiros internacionais mantiveram-se em patamares relativamente elevados desde a última reunião deste Comitê, embora tenham mostrado certo recuo na margem. Mesmo que os preços de ativos brasileiros exibam, em grau diverso, sensibilidade frente ao cenário internacional, a atividade econômica no Brasil não parece, até o momento, ter sido afetada de forma relevante pela persistente deterioração da confiança nos mercados financeiros globais, e, ainda que não isolada dos desenvolvimentos econômicos externos, a economia brasileira tende a continuar sua trajetória de crescimento, que vem sendo sustentado essencialmente pela demanda doméstica. “

12. “O preço do petróleo, fonte sistemática de incerteza advinda do cenário internacional, mais uma vez elevou-se consideravelmente desde a última reunião do Copom e continua altamente volátil. Esse comportamento reflete mudanças estruturais no mercado energético mundial, que têm impedido a recuperação dos níveis de estoques tradicionalmente observados, além de tensões geopolíticas recorrentes. A despeito da considerável incerteza inerente às previsões sobre a trajetória dos preços do petróleo, o cenário central de trabalho adotado pelo Copom prevê preços domésticos da gasolina inalterados em 2008, ainda que a probabilidade de se configurar um cenário alternativo venha aumentando. Cabe assinalar, entretanto, que, independentemente do comportamento dos preços domésticos da gasolina, a elevação consistente dos preços internacionais do petróleo se transmite à economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas, como a petroquímica, quanto pela deterioração que termina produzindo nas expectativas de inflação dos agentes econômicos.”

Avaliação prospectiva das tendências da inflação

13. “Os choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:”

a) “comparadas aos valores considerados na reunião do Copom de março, as projeções de reajustes nos preços da gasolina e do gás de bujão foram mantidas em 0%, para o acumulado de 2008;”

b) “na comparação com a reunião do Copom de março, a projeção de reajuste da tarifa de telefonia fixa permaneceu em 3,5% para o acumulado de 2008, e, no caso do preço da eletricidade, a projeção para o acumulado de 2008 foi alterada de 1,1% para 0,1%;”

d) “a projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para 2009 foi mantida em 4,5%.”

14. “Em relação à política fiscal, as projeções levam em conta o cumprimento da meta de superávit primário de 3,8% do PIB em 2008 e em 2009, ajustada pela possibilidade de que esse percentual seja reduzido em até 0,45 p.p., em virtude da implementação do Programa Piloto de Investimentos (PPI). As demais hipóteses consideradas na reunião anterior foram mantidas.”

16. “Considerando-se as hipóteses do cenário de referência, que leva em conta a manutenção da taxa de câmbio em R$1,70 e da taxa Selic em 11,25% em todo o horizonte de previsão, a projeção para o IPCA em 2008 elevou-se significativamente em relação ao valor considerado na reunião do Copom de março, e encontra-se acima do valor central de 4,50% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros apuradas pela Gerin junto a analistas, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2008 também sofreu forte elevação em relação ao valor considerado na última reunião do Copom, e também se posiciona acima do centro da meta de inflação. No que diz respeito a 2009, a projeção do cenário de referência elevou-se em relação ao valor previsto na reunião de março, enquanto a projeção do cenário de mercado sofreu redução. Essas projeções, em ambos os cenários, superam o valor central de 4,50%.”

Implementação da política monetária

17. “O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Os dados referentes à atividade econômica indicam que o ritmo de expansão da demanda doméstica continua bastante robusto, mostrando aceleração em alguns segmentos e regiões no primeiro trimestre do ano, e responde, ao menos parcialmente, pelas pressões inflacionárias que têm sido observadas no curto prazo, a despeito do forte crescimento das importações e do comportamento benigno do investimento. Mesmo no contexto de uma desaceleração moderada da economia mundial neste ano e da maior volatilidade que vem caracterizando os mercados globais desde meados de 2007, o Comitê acredita, com as informações disponíveis no momento, que o balanço de pagamentos não deve apresentar risco iminente para o cenário inflacionário. Por outro lado, há sinais de que pressões inflacionárias relevantes tanto em economias maduras quanto nas emergentes, estariam se intensificando, evidenciando a presença de riscos inflacionários em escala global. O Copom reitera a visão, expressa em Notas de reuniões anteriores, de que, para a inflação brasileira, um cenário alternativo de desaceleração mundial mais intensa e generalizada representa fator de risco de sinal ambíguo. Por um lado, ao reduzir as exportações líquidas, atuaria como fator de contenção da demanda agregada. Além disso, o potencial arrefecimento dos preços de algumas commodities importantes poderia contribuir para uma menor inflação doméstica. Por outro lado, o supracitado cenário alternativo poderia atuar desfavoravelmente para as perspectivas de inflação por intermédio de dois mecanismos.”… “Além disso, no médio prazo, uma possível redução das exportações líquidas poderia ter efeito similar sobre a sustentabilidade de preços de certos ativos brasileiros. Diante da deterioração das perspectivas para a inflação, em ambiente de maior incerteza, o Comitê avalia que o risco de materialização de um cenário inflacionário menos benigno aumentou. O Copom enfatiza que o principal desafio da política monetária nesse contexto é garantir que os resultados favoráveis obtidos nos últimos anos se estendam no tempo. Em particular, cabe à política monetária atuar para que impactos inicialmente localizados sobre os índices de preços não levem, por meio de uma piora das expectativas, à deterioração persistente da dinâmica inflacionária. “

18. “O Copom considera que se elevou a probabilidade de que pressões inflacionárias inicialmente localizadas venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação doméstica, uma vez que o aquecimento da demanda e do mercado de fatores, bem como a possibilidade do surgimento de restrições de oferta setoriais, podem ensejar aumento no repasse de pressões sobre preços no atacado para os preços ao consumidor. O Comitê entende que as perspectivas para esse repasse, bem como para a generalização de pressões inicialmente localizadas sobre preços ao consumidor, dependem de forma crítica das expectativas dos agentes econômicos para a inflação, que mostraram elevação significativa nas últimas semanas e que continuam sendo monitoradas com particular atenção. Adicionalmente, cabe notar que, embora o setor externo tenha o efeito de moderar a inflação no setor de transacionáveis, o aquecimento da demanda doméstica pode desencadear pressões inflacionárias no setor de não transacionáveis, por exemplo, nos preços dos serviços.”

22. “O Comitê assinala a importante contribuição do investimento para ampliar a capacidade produtiva. Esse fator, aliado à ajuda do setor externo, vem atuando para mitigar pressões inflacionárias, que de outra forma seriam ainda mais intensas. Entretanto, o Copom avalia que o ritmo de expansão da demanda doméstica, que deve continuar sendo sustentado, entre outros fatores, pelas transferências fiscais e pelo crescimento da renda e do crédito, continua colocando riscos para a dinâmica inflacionária. Nesse contexto, a redução consistente do descompasso entre o ritmo de ampliação da oferta de bens e serviços e o da demanda torna-se ainda mais relevante na avaliação das diferentes possibilidades que se apresentam para a política monetária. “

23. “Visando consolidar um ambiente de estabilidade e previsibilidade, o Copom adota uma estratégia que procura evitar uma trajetória inflacionária volátil. Tal estratégia leva em conta as defasagens do mecanismo de transmissão e tem se mostrado a mais indicada para lidar com a incerteza inerente ao processo de formulação e implementação da política monetária. Daí a importância atribuída às projeções de inflação, ao balanço de riscos associado ao cenário prospectivo e, especialmente, à ação preventiva no processo decisório do Comitê. A prudência passa a ter papel ainda mais importante, nesse processo, em momentos como o atual, caracterizado pela deterioração da dinâmica inflacionária corrente e esperada. Nas atuais circunstâncias, existe o risco de que os agentes econômicos passem a atribuir maior probabilidade a que elevações da inflação sejam persistentes, o que implicaria redução da eficácia da implementação da política monetária. Assim sendo, na avaliação do Copom, respaldada pela experiência internacional, a atuação da política monetária tende a ser mais efetiva, atingindo seus objetivos com maior rapidez, quando a deterioração da dinâmica inflacionária está em seus estágios iniciais, do que quando esta se encontra consolidada. “

25. “Nesse contexto, avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 11,75% a.a., sem viés. O Comitê entende que a decisão de realizar, de imediato, parte relevante do movimento da taxa básica de juros irá contribuir para a diminuição tempestiva do risco que se configura para o cenário inflacionário e, como conseqüência, para reduzir a magnitude do ajuste total a ser implementado. “

Ambiente externo

55. “Cresce a percepção de um declínio mais severo e prolongado na atividade econômica norte-americana, com impactos negativos sobre o desempenho da economia mundial. O Federal Reserve reconhece que haverá uma suave recessão no primeiro semestre na economia estadunidense, seguida de modesta recuperação no segundo semestre. “

56. “Na Europa, os temores sobre o mercado imobiliário do Reino Unido aumentaram de intensidade. Depois de vários bancos terem adotado políticas mais restritivas para a concessão de hipotecas, os preços dos imóveis britânicos caíram 2,5% em março, a maior retração dos últimos dezesseis anos. O crescimento econômico da Área do Euro desacelerou nos últimos três meses de 2007, à medida que os gastos do governo e dos consumidores diminuíram. Segundo dados finais divulgados, o Produto Interno Bruto (PIB) dos treze países que adotavam o euro cresceu 0,4% no quarto trimestre, em relação ao terceiro, e avançou 2,2% ante o quarto trimestre de 2006.”

57. “Fato marcante neste início de 2008 é o caráter refratário do processo inflacionário, mesmo diante da desaceleração global. Alimentos e energia continuam ditando o ritmo da inflação, que se alastra globalmente. Além das grandes economias, destaca-se a alta da inflação em Hong Kong (6,3%), Índia (6,11%) e Arábia Saudita (8,7%, a maior alta em 27 anos). Situação semelhante preocupa os bancos centrais na América Latina, Rússia e Filipinas, entre outros. “

58. “Na China, a inflação alcançou seu valor recorde em doze anos – 8,7% a.a. em fevereiro, com destaque para os preços de alimentos que, apenas em fevereiro, apresentaram alta de 23,3%. Nos EUA, o recuo da atividade tem compensado as pressões de preços de alimentos e energia, que se somam ao efeito do câmbio desvalorizado. “


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written by rodrifernandes


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